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Filhos que preferem um dos Pais

Filhos que preferem um dos Pais

Não acredite nessa mentira

Por Karine Rizzardi*

Há muitos pais chateados com a idéia de que seus filhos preferem mais um dos cônjuges do que a eles mesmos. Se formos avaliar, o amor não é algo a ser medido ou comparado, mas mesmo assim, espero que nunca essa falsa crença invada seus pensamentos. Se você pensa isso, saiba que é essa é uma idéia que precisa quebrar dentro de você. É uma mentira que não pode aceitar e eu vou te dizer por quê:

  1. Quem se torna pai e mãe, certamente viverá fases da vida onde um dos filhos terá mais afinidade com um do que com outro. Isso pode ocorrer por necessidade ou idade, ou seja, pode ser que na infância a criança goste mais daquele que brinque com ela, mas na adolescência, ela preferirá aquele pai ou mãe que converse mais. Quando o filho se casa, geralmente pode migrar de identificação e se aproximar mais de outro pai e ao ter os filhos, é possível que isso também se fortaleça ou modifique.
  2. A maior prova de que não existe preferência, é que até os oito anos de idade, a mente da criança é igual a um computador. Ela não sabe se as informações gravadas são boas ou ruins; as frases são apenas são guardadas no arquivo mental, como se fosse o “salvar arquivo”. Se um filho ouve com certa freqüência que ele(a) prefere a mãe ou o pai, sem que ele menos perceba, passará a adotar essas frases como verdades inquestionáveis. Por esta razão, evite frases do tipo: “Você prefere mais o seu pai(mãe) do que a mim”, “Você só dá carinho para sua mãe. Eu sempre fico de fora.”, “Você puxou seu pai” ou “Ela é a mãe escrita. Não tem o que tirar nem por.”
  3. Entenda que “identificação” é diferente de “preferência”. Se você se identifica mais com um dos pais, não quer dizer que você ame mais um do que outro. Significa talvez que o jeito de ser pode ser mais parecido com um do que outro. É como gostar dos tipos de frutas diferentes. Você pode comer manga e abacaxi, mas opta por comer o abacaxi porque satisfaz mais o seu paladar (o que não significa que você acha a manga ruim). Houve um tempo em que minha filha sempre rejeitava meus abraços e carinho. O engraçado era que isso nunca acontecia com o pai. Eu chegava do trabalho e abria os braços implorando um beijo e ela sempre refugava. Dois minutos depois, o pai chegava em casa e eu só via ela sair correndo do corredor e ir direto para o colo dele. Um dia, meu esposo percebeu minha chateação e disse:- Karine, eu sei o que você pode fazer para ela querer seu abraço. Seja mais suave quando você distribui amor e não fique amassando ela demais. Você pega, amassa, beija, aperta e ela não gosta. Deixa ela vir até você, que aos poucos ela se encosta, mas sem que você a aperte.

    – Tá bom! Disse eu, com uma cara de desanimada, mas foi só fazer isso algumas vezes que realmente hoje eu sinto ela bem mais receptiva ao meu carinho. Tive que entender que ela tinha apenas um jeito diferente do meu de demonstrar afeto e eu tive que aprender a lidar isso. Por isso que “identificação” é diferente de “preferência”.

É claro, no entanto, que para cada regra há exceções. Se um dos pais abandonou, dedicou menos atenção, se doou pouco à relação, abusou, maltratou ou plantou coisas negativas na relação, é provável que isso exerça influencia destrutiva. Relações saudáveis não são construídas do dia para noite, mas do contrário, dependem de investimento de tempo, entrega e envolvimento no ato de relacionar-se.

*A autora é psicóloga especialista de casais e família.

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